
Existem várias
obras dedicadas à compilação do rifoneiro popular e do adagiário nacional.
Algumas são especializadas em temas, profissões, regiões, épocas, etc. Conheço
do Dr. José Pedro Machado, meu bom amigo já desaparecido, uma compilação
monumental a que deu o sugestivo título de «O Grande Livro dos Provérbios»,
publicado pela Editorial Notícias em 1996. Em mais de seiscentas páginas
compilou milhares desses aforismos populares, que os nossos avós tiveram a
bondade de nos transmitir, quando ainda nem sabíamos ler. Talvez fosse essa
mesma a origem dos provérbios, transmitir o saber adquirido pela experiência da
vida aos que não sabiam ler ou não tinham qualquer outra fonte de informação. A
forma simples e intuitiva dos avisos e conselhos contidos nos provérbios, é uma
verdadeira lição de vida e de ensinamento, ainda hoje muito prática, acessível
e útil. A musicalidade do provérbio ou ditado popular, expressa-se através da
forma rimada e poética como é concebido.

«O pior ribeiro é o da porta» - significa que o mais difícil é
dispor-se alguém a fazer qualquer coisa, porque o mais fácil é não fazer nada;
ouvi este provérbio em Loulé.
«Barafunda não é peixe» - expressão que os pescadores usam para
aconselhar calma e evitar zaragata; ouvi este ditado na ilha da Armona e em
Olhão.
«Ficar à porta como o centeio» - provérbio usado para servir como
termo de comparação; confesso que para o citadino é um pouco difícil de
entender; ouvi-o em Moncarapacho.
«Quem vai a Alvor vai a Lagos, que é
mais uma légua de areia»
- ouvi esta sentença na praia do Alvor, cujo sentido me parece ser por demais
evidente no espírito dos marítimos.

Para terminar
fica aqui o desafio: se algum dos meus amigos leitores conhecer algum provérbio
genuinamente algarvio, agradeço que o compartilhe aqui, para que todos possamos
desfrutar da sabedoria do nosso povo.
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