segunda-feira, 15 de outubro de 2012
Laboratório Farmacológico, fundado por um portimonense
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Viagens régias ao Algarve
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
Algarvios, povoadores de outras terras
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| Instituto Superior Técnico, grandiosa obra de Duarte Pacheco |
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| Bairro social da Ajuda, notável obra de Duarte Pacheco |
domingo, 7 de outubro de 2012
Deputados do Algarve em 1826-1828
sábado, 6 de outubro de 2012
Antigas medidas de peso, volume e comprimento
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| Caixa de pesos e medidas usadas pelo aferidor municipal |
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| medidas antropomórficas (pé e polegada) |
É claro que essas medidas, com o evoluir dos séculos, deixaram de depender das características naturais que estiveram na sua origem histórica, para se fixarem em padrões mais consentâneos com o meio físico e com as necessidades mercantis, adoptando uma medida oficial e inalterável. O que é certo é que ainda hoje são utilizadas no Reino Unido, que por razões e tradição histórica, e pelo seu natural conservadorismo, se recusou a adoptar o Sistema Métrico Décimal, preferindo manter as suas velhas medidas.
ALQUEIRE - medida de capacidade, usada para secos de volume variável, geralmente milho, trigo, aveia, centeio, grão, feijão, assim como todo o tipo de gramíneas e sementes. Também podia ser usado para os líquidos, o que só acontecia em pouquíssimos concelhos do país, e nesse caso equivalia a 6 canadas, ou seja, 8,4 litros. Mas o seu valor em seco (quer para as transações comerciais, quer para a avaliação das terras de semeadura) passou a ser oficialmente de 13,9 litros, por decisão do Marquês de Pombal, logo após o terramoto de 1755. Valor esse que se manteve para sempre.
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| medidas de alqueire (um, meio, e quarta), ainda hoje usadas na venda a retalho de cereais nas feiras mercados tradicionais |
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
João Fernandes, paradigma do anónimo pescador olhanense
Mas o que ninguém comemora é o dia do pescador ou do marítimo olhanense, que bem poderia ser assinalado no dia 19 de Agosto, data de nascimento do célebre Patrão Joaquim Lopes, verdadeiro paradigma da bravura e heroísmo das gentes de Olhão.
Em contraponto lembrei-me de trazer para à ribalta deste espaço a memória de um velho lobo-do-mar, cuja vida representa em si mesma a humildade e o sacrifício, mas também a tenacidade e a honradez do povo olhanense. Chamava-se João Fernandes, nasceu em Olhão e nunca conheceu outra vida que não fosse a do mar. Faleceu, anonimamente, sem pompa nem circunstância, em fins de Outubro de 1951, tinha então 85 anos de idade. Era, à data da sua morte o decano dos pescadores portugueses ligados à faina do bacalhau.
Começou em criança a enfrentar os perigos do mar nos velhos caíques de Olhão que sulcavam os mares de Larache, e foi ainda muito jovem que aceitou o desafio de partir num bacalhoeiro para os gelados e traiçoeiros bancos pesqueiros da Gronelândia. A forma como se comportou durante anos seguidos, defrontando indizíveis dificuldades e privações, granjearam-lhe a fama de lobo-do-mar, resistindo sempre com invulgar valentia aos perigos que teve de enfrentar.
Teve também a glória de ter sido um dos primeiros olhanenses a partir para a Terra Nova, revelando-se com o decorrer do tempo como um exímio pescador, aguentando estoicamente as agruras da solidão, do frio e dos enregelantes nevoeiros que cobriam os mares da Gronelândia, pejados de bacalhau mas também de vagas alterosas, que, por mais de uma vez, o lançaram nas gélidas águas de onde dificilmente se sobrevive. A divina mão da providência, sob a invocação do Santo Cristo, sempre o salvou das águas traiçoeiras e dos gélidos frios que fustigavam as terras e os mares do bacalhau.
Pode, sem exagero, afirmar-se que homens como o João Fernandes eram considerados como dos mais duros e corajosos que o mundo algum dia conheceu. E esses homens eram denominados na gíria do mar como os "pescadores-de-dóri", uma espécie de espectros humanos da mais rija têmpera, moldados no aço dos grandes bancos da Terranova e do Canal da Gronelândia. Não obstante pescarem no Verão, o ambiente e a temperatura destas águas era sempre frígido, e os lusos pescadores fainavam solitários dentro de pequenos botes, a que chamavam dóris, trazidos para os enregelantes mares, do ocidente europeu e América do Norte, nos conveses de enormes veleiros ou lugres de quatro mastros, que denominavam por navios-mãe, mas aos quais também chamavam "cisnes-brancos", por serem dessa cor as embarcações que o governo português mandou construir, nos finais da década de trinta, nos estaleiros de Aveiro (substituídos pela construção naval em aço, em São Jacinto), de Viana ou do Barreiro. Esses lugres, primeiramente construídos em madeira e depois em aço, eram pintados de branco para poderem ser divisados à distância debaixo dos brumosos céus da Terra Nova. A nossa frota bacalhoeira era a mais numerosa e bem equipada do mundo, tendo a particularidade de ser acompanhada por um navio hospital, que inclusivamente socorria os pescadores de outras nações que nessas águas fainavam em compita com os nossos interesses. Aos porões dos veleiros regressavam todas as noites os nossos bravos pescadores, para extirpar, salgar e empilhar os milhares de peixes içados para bordo do navio-mãe, provenientes dos 30 a 50 dóris, lançados diariamente nas águas gélidas. Relembro que cada dóri tinha a bordo um único pescador que usando longas linhas de 500 anzóis, se fosse experiente e esforçado, podia encher o bote duas ou três vezes por dia. À noite regressavam, à vela ou a remos, ao navio-mãe, embora o dia de trabalho não estivesse ainda terminado, pois tinham que limpar e salgar o peixe no porão.
Na faina da Pesca do Bacalhau, registaram-se milhares de pescadores, a maioria dos quais oriundos da Póvoa de Varzim, Matosinhos, Ílhavo, Aveiro, Figueira da Foz, Nazaré, Peniche, Setúbal e Algarve. Era certamente a mais dura e solitária pescaria de que há memória, na qual se perderam muitas vidas. Nela se ocuparam alguns milhares de pescadores algarvios. Sabemos quais os números oficiais dessa faina, sendo certo que nela laboraram também muitos ilegais, nomeadamente menores, que partiam com os pais para os ajudarem no amanho do peixe. Da vila de Sagres (era assim que se dizia então) eram oriundos 20 pescadores; da cidade de Lagos eram 96; do concelho de Portimão estavam registados 231 pescadores, sendo 190 da cidade e 41 da freguesia de Ferragudo; os "filhos de Olhão" eram a maioria com 1080 pescadores e de Vila Real de Santo António eram naturais 52 bravos marítimos.
Este foi o método tradicional da pesca do bacalhau, que perdurou largas décadas no séc. XX, acabando por ser superado pelo actual sistema de arrasto.
A tudo isto escapou o velho lobo-do-mar, que depois de enviuvar e de ver arruinada a saúde, pediu que o recolhessem no Asilo das Irmãzinhas dos Pobres, em Campolide, que o trataram com muito carinho, desvelo e admiração, até ao último sopro de vida.
A título de curiosidade, acrescentamos que teve duas filhas, Deolinda Fernandes Pereira e Albertina Fernandes Carolas, ambas já falecidas. Mas isso hoje pouco importa, porque ninguém se lembra, nem ninguém quer saber, quem foi o pobre do João Fernandes, esse anónimo lobo-do-mar, sacrificado marítimo e honrado filho do glorioso povo de Olhão.
Calendário Olhanense
O laborioso povo de Olhão tinha uma forma pitoresca para designar os meses do ano. Assim, de Janeiro a Maio, sucedia-se o mês de S. João, o mês de S. Cristóvão, o mês de S. Bartolomeu, a Feira de Faro, a Feira de Olhão, Todos-os-Santos e Natal. Esta calendarização do ano prende-se com a actividade económica das feiras, sendo muito curiosa as referências a S. Cristóvão e a S. Bartolomeu. Não creio que haja nada parecido no país.
Cacela - Foral
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Etnografia Algarvia - Caimbo
Hoje fico-me por um simples traço da etnografia rural algarvia: o Caimbo, que mais não é do que a designação que no Algarve se atribui à vara com que se procede à varejadura do figo. Como hoje já não se vareja o figo, e inclusivamente já poucos agricultores o colhem porque as indústrias de outrora já não existem, ocorrreu-me lembrar este simples artefacto a que os homens do campo davam grande importância, porque deveria ser moldado num ramo de zambujeiro, que alguns também designam por oliveira-da-rocha, e que mais não é do que uma oliveira brava. O termo zambujeiro foi importado da ilha da Madeira, por ser de lá que vieram estas oliveiras bravas, cujo fruto costumavam misturar com as azeitonas brancas para dar uma tonalidade mais esverdeada e um sabor mais frutado ao azeite.
Saber colher um bom ramo de zambujeiro, e dele moldar uma vara longa e maleável, para com ela bramir uma leve chicotada no pé do figo, não era tarefa fácil nem ao alcance de qualquer um, pois que exigia conhecimento, treino e destreza, quer no amanho da vara quer no exercício da colheita do fruto.terça-feira, 2 de outubro de 2012
Bocejo
Algarvios e Minhotos
Documentos históricos
Apenas a título de curiosidade aqui deixo, nesta breve nota, alguns diplomas de enorme importância para o estudo histórico do Algarve, assim como das suas relações político-socioeconómicas com outras regiões do país e do mundo. Após a citação do documento acrescento alguns informes sobre o possível interesse do mesmo, o suporte, o estado de conservação e a data; seguindo-se a indicação oficial do documento em si, o que permite ao leitor deste blogue saber aonde é que o mesmo se encontra, e a forma como requesitá-lo, numa hipotética visita à Torre do Tombo.
Algarve (Documentos)
- Carta do rei de Castela dirigida a D. João de Aboim, mordomo-mor de el-rei de Portugal, e para Pedro Anes, seu filho, na qual lhes ordenava entregassem a el-rei de Portugal os castelos das vilas de Tavira, Loulé, Faro, Portimão, Silves, Aljezur e toda a terra do Algarve com suas pertenças e direitos. Importantíssima carta de doação dos castelos do Algarve, escrita sobre pergaminho, em bom estado e com selo de chumbo pendente, datada de 16-2-1267.
ANTT, Gaveta XIV, maço 1, doc. 3. Sobre assunto afim, ver Gav. XIV, maço 1, docs. 7 e 8 e ainda Gav. XIV, maço 4 doc. 9.
- Pública-forma dos autos de diligência que fez o Doutor António Vaz Raposo, que serviu de corregedor do Algarve, por especial mandado de El-rei, a respeito da ida dos cristãos-novos para terra de mouros. Escrito em papel, com 13 fls., e em bom estado, datado de Castro Marim a 27-6-1532. ANTT, Gaveta XV, maço 2, doc. 14.
- Alvará passado a António Vaz para o cargo de Feitor das Rendas da Rainha no Algarve. Escrito em papel, bom estado, datado de 20-4-1529.
ANTT, Gaveta XV, maço 11, doc. 29.
- Carta do Bispo do Algarve a respeito do abandono das cidades de Safim e Azamor. Muito interessante para o estudo das relações com o Norte de África. Escrito em papel, com 4 fls., bem legíveis. Datado de Lagos a 15 de Outubro de 1534.
ANTT, Gaveta XV, maço 14, doc. 2.
- Carta do Bispo do Algarve a el-rei a respeito de coisas do Algarve. Importante para o estudo da situação económica da região. Escrito em papel, com 4 fls., em bom estado, datado de 18-8-1534. ANTT, Gaveta XV, maço 14, doc. 7.
- Carta do rei D. Afonso de Castela através da qual doou a el-rei de Portugal, D. Afonso III, a seus herdeiros e sucessores o território do reino do Algarve e seus pertences. Trata-se do documento que legitimou a Conquista do Algarve e a sua integração no espaço nacional. Pergaminho em mau estado, datado de Badajoz a 16-2-1267.
ANTT, Gaveta XV, maço 15, doc. 36.
- Carta do Corregedor do Algarve para El-rei dando notícia dum pedido de socorro manifestado por Nuno Fernandes de Ataíde para as praças de África. Escrito em papel, com 3 folhas, em bom estado, datado de 13-(?)-1514.
ANTT, Gaveta XX, maço 2, doc. 65.
- Alvará dirigido ao contador do Algarve para que se fizesse a entrega dos forais novos e respectiva cobrança do custo de cada um, a favor de Fernando de Pina. Escrito em papel, com 2 fls., em bom estado, datado de Lisboa, 14-9-1504.
ANTT, Gaveta XX, maço 10, doc. 8.
- Duas folhas do Livro da Chancelaria do Infante D. Fernando respeitante aos direitos do Algarve, uma está datada de 30.3-1531 e a outra de 23-7-1533, escritas em papel e em bom estado.
ANTT, Gaveta XX, maço 10, doc. 21.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Filomena Valente Bencici, uma diva do «Scala» de Milão no Teatro Lethes, em Faro
BELMARÇO, Adelaide do Rosário
segunda-feira, 27 de junho de 2011
ALGARVE - Planos Hidrográficos
domingo, 26 de junho de 2011
AFTAS
Todos sabemos que aquelas manchas esbranquiçada, redondas, com uma auréola vermelha, que nascem na ponta da língua e a que vulgarmente chamamos aftas, causam grande incómodo, chegando mesmo a tornarem-se num verdadeiro suplício. Na verdade, as aftas não são mais do que pequenas ulcerações, geralmente dolorosas e insuportavéis, que aparecem de forma inesperada na mucosa bucal. Ninguém sabe o porquê do seu aparecimento, embora se avente a hipótese de terem origem nervosa. Em geral têm menos de 12 mm de diâmetro e costumam aparecer em grupos de duas ou de três, sendo certo que normalmente desaparecem ao fim de poucos dias, sem deixarem, felizmente, rasto.
sábado, 25 de junho de 2011
ANDRINO, Teodora Maria
Neve no Algarve
Mas se o bom tempo, com sol radioso e celestial azul, identificam a paradisíaca envolvência climática e ambiental desta região, certamente que o contrário - frio, chuva, neve e gelo - traduzem as agruras pelas quais passam os povos do norte europeu, que logicamente por essa razão se tornaram nos principais clientes do nosso turismo internacional.

Não admira pois, que a queda de neve no Algarve (mercê do seu posicionamento geográfico no extremo sul da Europa) seja um fenómeno meteorológico muito raro. De tal forma assim é que, desde longa data, se arreigou no espírito do povo algarvio a quase impossibilidade de tal ocorrência poder vir algum dia a suceder. Por isso surgiu na sua vivência popular, ou naquilo que podemos considerar como a sua etnografia linguística, esta capciosa expressão: «para o ano dá neve». Similarmente os algarvios querem dizer que tal só acontece «quando as galinhas tiverem dentes», ou, mais provavelmente, «para a semana dos nove dias».
Nesta irónica expressão «para o ano dá neve» traduz o povo algarvio a certeza ou o sentimento de algo que só muito dificilmente (senão mesmo impossível) terá realização ou poderá ocorrer. Esta expressão deixou de se ouvir no Algarve com a assiduidade que só a ironia crítica e a sabedoria popular sabe empregar nos momentos mais apropriados.
sábado, 5 de março de 2011
ALBUQUERQUE, Teresa de Jesus Lopes de Pina Marques e
Foi certamente uma das primeiras mulheres portuguesas a tirar um curso superior, sendo provavelmente a primeira a licenciar-se em Engenharia Agrónoma.
Não tenho a certeza se era natural de Faro, mas sei que era algarvia, descendente de boas famílias, que teve uma educação esmerada, com a qual, aliás, honrou os pergaminhos herdados dos seus antepassados.
Estudou no Liceu Nacional de Faro, nos anos iniciais do século vinte, tendo sido, juntamente com suas irmãs, uma das primeiras que abriram as portas daquele preclaro estabelecimento de ensino à frequência do belo sexo, num tempo em que só aos homens competia discernir o futuro, através da formação e chefia da família, da organização da sociedade e da liderança da vida política. Os rapazes, descendentes das famílias mais distintas e com maior poder financeiro, usufruíam do privilégio de investirem na sua própria formação intelectual, científica e profissional, frequentando para isso os melhores colégios e escolas, não só no país como até no estrangeiro.
O movimento feminista, que nos finais do século dezanove despontara na Grã-Bretanha, e que tivera na martirizada Rosa Luxemburgo o expoente máximo da grandeza intelectual da mulher, fez despontar em certas famílias a necessidade de cuidar da educação das suas filhas para as não deixarem à mercê dos maridos, nem do despotismo marital que tanto caracterizava a sociedade burguesa anterior à implantação da República. 
Após concluir o curso liceal em Faro, com altas e distintas classificações, partiu para Lisboa onde se revelaria como uma das mais inteligentes e dedicadas investigadoras do curso de Agronomia da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Projectada para uma grande carreira científica acabou por se apaixonar por esse grande valor nacional que foi o Eng.º Agrónomo e Silvicultor José de Pina Manique e Albuquerque, com quem se casou pouco depois. A distinção social e meios de fortuna do seu marido, descendente directo do grande Pina Manique e também da insigne família dos Albuquerque, não lhe permitiram prosseguir os seus trabalhos de investigação agronómica, resignando-se aos prazeres do lar e às responsabilidades de mãe. Ainda assim acompanhou o marido na direcção da Estação Agronómica Nacional, em torno da qual evoluíam as classes mais avançadas dos cursos de Agronomia e Silvicultura.
Resta acrescentar que a Eng.ª Agrónoma Teresa de Jesus Lopes, que presumo natural de Tavira, faleceu a 18-8-1965, em Lisboa, no seu requintado apartamento da Avenida da República, confortada pelos carinhos da sua filha, Helena Guiomar de Pina Manique e Albuquerque. Não quero terminar este breve apontamento biográfico, sem deixar de lembrar as suas irmãs, que a seu lado frequentaram o Liceu de Faro, e foram igualmente distintíssimas mulheres da sociedade do seu tempo, ambas licenciadas, figuras ilustres e de grande nobreza de carácter, que, igualmente, só não marcaram vincado relevo nos meios intelectuais e científicos, porque também elas foram casadas com prestigiadas figuras nacionais. A mais velha, a Dr.ª Branca Lopes Martins, casou-se com o eminente Professor Doutor Augusto da Silva Martins, de quem enviuvou relativamente cedo; e a mais nova, Dr.ª Maria João Lopes do Paço, foi casada com o notável arqueólogo Tenente-Coronel Afonso do Paço, que muito amou o Algarve e aqui mantinha residência de férias, para não falar já nos trabalhos de investigação que deu à estampa sobre esta região. No fundo foram três mulheres, belas e inteligentes, que tendo-se libertado da sociedade machista do seu tempo, através do investimento na sua própria formação intelectual e científica, acabaram por ser simplesmente distintas esposas de três grandes homens. Aquilo que poderia ter sido a excepção tornou-se na confirmação da regra.
quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011
SILVEIRA, Maria Caiado da
Benemérita local, nasceu em S. Brás de Alportel e faleceu em Faro, a 26-9-1954, com 89 anos de idade.
Prestigiada senhora da melhor sociedade do seu tempo, estimada e admirada pelas suas acções de benfeitoria para com a Igreja católica, de que era fiel servidora e muito crente, e para com os pobres que todos os dias lhe batiam à porta em busca de alimento e protecção. O facto de ser a conceituada viúva do famoso e muito abastado proprietário Mateus Joaquim da Silveira, permitia-lhe despender significativas verbas em prol dos mais carenciados, distribuindo esmolas e apoiando diversas obras sociais ou instituições de benemerência local, como era o caso da Misericórdia, do Refúgio das Raparigas, das Florinhas do Sul, do Asilo de Santa Isabel, etc.
Entre as suas acções de apoio à Igreja merece particular destaque o financiamento das obras de restauro da Capela de S. Sebastião, situada no largo que tem o mesmo nome, cujas origens deverão remontar ao séc. XVII. Também a Igreja de Nossa Senhora do Monte do Carmo, a cuja Ordem Terceira pertencia com honra e muito orgulho, recebeu sempre que necessário as suas avultadas esmolas, para recuperação dos retábulos e embelezamentos das capelas.
Era mãe de D. Maria da Silveira Santana, que foi casada com José Joaquim Santana; de D. Berta Bebiana da Silveira Barbosa, que estava viúva do Dr. António dos Reis da Silva Barbosa; de D. Adelaide Gabriela da Silveira Borges, casada com Henrique Borges, que foi um amador das letras e colaborador da imprensa farense. Deixou vários netos e bisnetos, que estão hoje ainda felizmente vivos mantendo acesa, e com igual prestígio, o nome da família Silveira.







